Blog do Viel


SENSIBILIDADE EM FALTA

Não sou fã do Roberto Torero. Na verdade, nem gosto, nem desgosto. Mas a coluna dele de hoje da Folha é uma crônica com uma sensibilidade, de uma beleza poética difícil de encontrar. Tudo escrito com simplicidade, sem grandes "efeitos especiais" e afins. Vale a pena ler.
Com vocês: Torero e o sorveteiro

 

JOSÉ ROBERTO TORERO

O sorveteiro da terceira


Matutei profundamente e cheguei à conclusão de que eu deveria entrevistar o sorveteiro da terceira divisão



ESTA SEMANA , um leitor identificado como Ivan enviou-me um e-mail não muito gentil que dizia: "Seu jornalista de m..., há três semanas que você só fala de uns timinhos insignificantes que não jogam b... nenhuma. P..., vai entrevistar o sorveteiro da terceira divisão!"
Matutei profundamente sobre a manifestação do terrível Ivan e cheguei à conclusão de que ele estava certo. Eu deveria mesmo entrevistar o sorveteiro da terceira divisão. No dia seguinte, lá estava eu no jogo entre o alviceleste Nacional e laranja-berrante Oeste Paulista. Havia umas 140 pessoas no estádio Comendador Souza. Entre elas, um sorveteiro franzino e sorridente (apesar dos poucos dentes). Peço um picolé de uva e pergunto como ele se chama.
- Meu nome é Raimundo.
- De quê?
- Da Silva, né.
- Posso lhe fazer umas perguntas?
- Pode. Mas tem que falar alto que eu estou meio surdo. Tem muita buzina em São Paulo.
Raimundo tem 52 anos e vem em todo jogo do Nacional desde os 12. Vende uns 50 sorvetes por jogo e nos outros dias trabalha na rua. Ganha cerca de R$ 300,00 por mês e vive com dois irmãos. Não casou porque "casamento só é bom no primeiro dia. Depois é só briga".
Pergunto se o movimento hoje não está especialmente fraco. - Não, é sempre assim.
- Então por que o senhor vem para cá?
- Venho porque só eu que venho.
O Corinthians é seu segundo time. Mas num jogo entre seus dois clubes, torceria para o Nacional. Raimundo já foi faxineiro e gosta muito de trabalhar com limpeza.
- O que faz para se divertir?
- Corro. Já ganhei umas 50 medalhas de participação. Mas dei quase todas. Medalha pé-de-chinelo eu não quero. Aquelas medalhinhas de honra ao mérito eu dou para os colegas, para os vizinhos.
Só guarda as que ganhou nas São Silvestres e nas maratonas (já fez quatro e diz que terminou todas). Neste momento, o Oeste faz 1 a 0. Raimundo faz um muxoxo. Realmente ele não está numa fase de muita sorte. Machucou o joelho em outubro e desde então deixou de fazer seus 10 km diários. Tinha uma bicicleta ("daquelas Barra Circular"), mas ela quebrou. A tevê também pifou, e ele ficou apenas com um rádio. O pior é que o seletor do aparelho está estragado e ele não consegue mudar de estação.
- Antes estava na rádio do Davi Miranda, mas ele só falava naquelas coisas de demônio, e eu estava ficando louco. Fui no homem que conserta rádio e pedi para ele dar um jeito. Não consertou, mas pelo menos agora está na Jovem Pan." Para terminar, pergunto qual a coisa que ele mais deseja no mundo.
- Quero ser faxineiro do Pão de Açúcar. Aí eu entro na equipe de corrida deles. Um torcedor que escutava a conversa, não se conforma: "Só isso? Tem que sonhar mais alto."
- Povo não pode ficar sonhando muito, filosofa o sorveteiro enquanto pega sua caixa de isopor e sai. Depois, só o vejo quando comemora o gol de empate do Nacional.
Ele grita de longe: "Não esquece! Meu nome é Raimundo!"



Escrito por Ricardo Viel às 16h31
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RIVER X BOCA

DELICIOSA CRÔNICA DE LUIS FERNANDO VERÍSSIMO, ROUBADA DO BLOG DO JUCA KFOURI, QUE ROUBOU DO BLOG DO NOBLAT, QUE NÃO SEI DE ONDE ROUBOU, SE ROUBOU.

River! Boca!

Foi um mal-entendido. Alguém deveria ir nos buscar no aeroporto de Miami e não apareceu. Ficamos mais de duas horas esperando num saguão vazio, que enchia a intervalos com a chegada de outros vôos e logo esvaziava de novo. E então nossa única companhia eram dois funcionários do aeroporto, dois faxineiros negros que vez por outra apareciam em extremidades opostas do saguão, a caminho de outro lugar. Quando dava a casualidade de os dois aparecerem ao mesmo tempo, um gritava para o outro:

   - River!

   E o outro respondia, lá do outro lado:

   - Boca!


Aquilo se repetiu não sei quantas vezes, enquanto esperávamos no saguão. Era só se enxergarem e um gritava:

   - River!

   E o outro:

   - Boca!

   Os dois eram corpulentos. Idades indefinidas. Poderiam ser gêmeos. Argentinos, claro. Não dava para imaginar dois americanos, ou latino-americanos de outra parte, evocando o River Plate e o Boca Juniors daquele jeito. Portenhos, por certo, embora seus físicos não fossem típicos. E a troca de gritos, aparentemente, se repetia o tempo todo. O dia todo, todos os dias.

   - River!

   - Boca!

   Era só se enxergarem.

Tinha começado como brincadeira, imaginei. Talvez tivessem chegado juntos aos Estados Unidos. Talvez fossem parentes, cunhados. Ou vizinhos. Só o que os separava era que um torcia pelo River e o outro pelo Boca. Cultivar aquela diferença era uma maneira de continuar em Buenos Aires. Era provável que nunca mais tivessem visto seus times jogar, mas ainda proclamavam sua paixão antiga. Nem que fosse só um para o outro, através de um saguão vazio.

   - River!

   - Boca!

Não era mais uma troca de provocações bem humoradas. Não era mais uma brincadeira. O tom ficara lamentoso. Os dois dependiam daquela rotina invariável para se certificarem de que estavam ali, que continuavam existindo, e argentinos, mesmo longe de casa. E continuavam River e Boca. Uma ladainha contra o esquecimento, pensei.  Uma canção do exílio para duas vozes tristes. Ou isto é literatura e os dois antípodas só combatiam o tédio.                                      

Os dois devem continuar lá, fazendo a mesma coisa. O dia todo, todos os dias.

   - River!

   - Boca!


não achei o crédito



Escrito por Ricardo Viel às 12h48
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NÃO CABEMOS TODOS

A frase, dita por Mariano Rajoy _candidato às eleições espanholas deste domingo_, diz respeito a onda de imigração e expulsão de estrangeiros (provenientes do "terceiro mundo", claro) que a Espanha, e a Europa como um todo, enfrenta nos últimos anos. Resultado disso é o número de brasileiros impedidos de entrarem nas terras de Don Quixote nos últimos tempos.
Para muitos a imigração explica todos os males do mundo. A Espanha não se dá conta que é o país incrível que é porque foi influenciada em tudo (música, culinária, arquitetura etc) por estrangeiros.

Antes de mais nada é preciso dizer que um país tem direito de impedir a entrada de quem quiser. Devo dizer também que tenho um enorme carinho pela Espanha, que tão bem me acolheu durante quase um ano, entre 2001 e 2002.

Posto isso, vale dizer que, como a matéria da Folha de hoje, assinada por Clóvis Rossi, deixa claro, há uma espécie de "cota" a ser preenchida pela polícia, diariamente, para expulsar latinos. Apenas isso já explica o tratamento dado aos latinos quando ingressam na Europa. Ponto dois: se você é mulher, negro, "pessoa de aspecto humilde" _haja subjetividade nesse critério_ e/ou jovem, então sua entrada no Velho Continente será questão de sorte.

Presenciei cenas de constrangimento e humilhação quando cheguei à Europa, via Milão. Tortura psicológica praticada por policiais contra latinos. Tenho amigos que foram expulsos da Inglaterra. Nesse caso em particular, os policiais estavam certos, as pessoas iam para tentar a vida. No entanto, o sadismo aplicado pelos policiais, a tortura psicológica e a humilhação poderiam/deveriam ser evitadas.

Voltando, enfim, à frase de Rajoy _que seguramente é compartilhada por muitos espanhóis. Se não cabemos todos, por que deixaram entrar pessoas como Júlio Batista, Robinho, Daniel Alves e tantos outros brasileiros que praticam o esporte bretão em território ibérico. São, sem excessão, pessoas de "origem humilde", seja lá o que realmente isso represente, negros e jovens.

Sejamos, então, coerentes. Se não cabemos todos, que comecem a impedir também a entrada de jogadores.

 

Robinho e Júlio Batista comemoram gol do Real Madrid, para alegria dos espanhóis. Foto:Felix Ordonez

 

Último comentário: Acho que as autoridades brasileiras deveriam ser menos lenientes com os europeus que vêm para o país para praticar turismo sexual. Em tese, eles não cometem crime, já que vêm ao país para conhecer e, de quebra, transar com uma prostituta brasileira. No entanto, quando a "festa" é feita com menores de idade, então se torna caso de polícia.



Escrito por Ricardo Viel às 12h38
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O CAMISA 10, ESSE SER EM EXTINÇÃO

Na despedida de Pelé, em 1977, eu não existia. Ainda demoraria três anos para que eu viesse ao mundo. De Zico, me lembro pouco. Creio que a maioria das lembranças sejam induzidas por vídeos que assisti depois. Quando comecei a curtir futebol, ele virou ministro do Collor. De sua passagem pelo Japão (1991-1994), vi alguns gols, só.

 

Também não vi a Copa que Maradona ganhou sozinho, a de 86. Me lembro (desculpa, não consigo escrever lembro-me) dele em 90, quando deu um passe para Caniggia fazer o Brasil chorar. Lembro também da sua ressureição e decadência em 1994. De qualquer forma, da época em que encantava, que fazia chover, só vi por vídeotape.

 

Sendo assim, dos que vi jogar, Zidane e Riquelme são os maiores. Se você ainda não se deu conta, falo dos chamados camisas 10. Como os que citei há poucos. É necessário uma combinação muito grande de fatores (habilidade, elegância, visão de jogo e estrela) para que nasça um 10. São seres que, torça você, amante do bom futebol, para o time que for, quando eles jogarem, os aplaudirá. Após a saída melancólica de Zidane, me sobrou Roman. O vi jogar, e muito, pelo Boca. Antes, consegui acompanha-lo pelo Villareal. Pela Seleção Argentina também pude ver jogos incríveis.

 

Eis que agora, por questões burocráticas e financeiras, Riquelme ficará até dezembro sem jogar. Pertence ao Villareal, equipe que comprou seu passe mas não seu coração. Foram muitas brigas, conflitos, desentendimentos e raros momentos de genialidade. Emprestado ao Boca, Riquelme foi o regente de equipe argentina na Libertadores. A equipe espanhola quis-lo de volta, mas não vai aproveitá-lo, nem emprestá-lo. Resultado: Ficará parado.

 

Perde o futebol e quem dele realmente gosta. Além de não jogar nenhum campeonato, provavelmente ficará fora dos jogos da Seleção Argentina, inclusive nas eliminatórias. Perde também quem não verá Roman jogando a final do Mundial Interclubes em dezembro, no tão esperado Boca x Milan.


Não se sabe de quem é a culpa. Quiçá seja ela coletiva. O fato é que, ao que tudo indica, o futebol  se tornou algo muito complexo para ser compreendido por aqueles que, como eu, simplesmente gostam de ver uma boa jogada.



Escrito por Ricardo Viel às 23h44
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Vampeta = Bom de bola e bom de boca

Vampeta fez falta. Dentro de campo e fora. Mesmo sem aqueles arranques e o vigor físico que tinha, sabe jogar, arrumar um time e lançar. Engessado joga melhor que a maioria que está . A dúvida era se conseguiria entrar em forma, conseguiu. Mas a falta maior foi fora de campo. É muito bom de papo. Sabe ser interessante e promover um jogo. Com ele não tem aquela de: “o professor”; “conquistar os três pontos”; “graças a deus”. E nem falar no plural quando esta falando dele.

 

Ontem vi uma história ótima contada por ele num programa de futebol. Cruzeiro e Corinthians, final de 1998 — ganha pelo time paulista no terceiro jogo. Luxemburgo, então treinador do Timão, preocupadíssimo com o time mineiro. Como marcar Muller, Marcelo Ramos, Valdo e Fábio Júnior? Quebrou a cabeça e decidiu que quem marcaria Muller era Gilmar Fubá. Um zagueiro enorme, muito forte, mas com pouco, pouquíssima técnica. Pura vontade.

 

Luxemburgo consultou seu à época amigo Robério de Ogum. Um pai-de-santo. Chamou Gilmar em seu quarto na concentração. Chegando , o zagueiro uma banheira cheia, com pétalas, olores e o diabo a quatro. O treinador ordena:

 

—Dá dois mergulhos ai, Fubá?

Como é que é professor?

— É isso mesmo.

 

Obediente, o jogador cumpriu a ordem. No dia seguinte, dois minutos de jogo, primeira bola que Muller recebe, Gilmar vem com vontade. O atacante finge que vai pra um lado, mas vai pro outro. O zagueirão cai no campo e leva a mão no joelho. era. Ligamento cruzado.

 

Enfim, Vampeta é um dos poucos que tem histórias como essas para contar, e que conta.



Escrito por Ricardo Viel às 23h27
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SÃO PAULO X FIGUEIRENSE

É muito difícil jogar contra quem não quer jogo. Foi o que perceberam São Paulo e Figueirense hoje a noite no Morumbi, pela Copa Sul-Americana. Embora precisasse vencerou empatar em dois gols para levar para os pênaltis, ou mais gols para se classificar —, o Figueirense não quis jogo. A postura irritou o tricolor paulista, que não soube como lidar com a situação. Resultado: o primeiro tempo foi morno e terminou 0 a 0.

 

A tática do técnico da equipe catarinense foi mantida no segundo tempo. A idéia era manter-se fechado e, num contra-ataque ou numa bola parada, fazer um gol. E ele veio. Dado pela zaga do São Paulo que bateu cabeça. Souza foi tirar, chutou nas costas de Ed Carlos e a bola sobrou, limpa, para Jean Carlos que bateu na saída de Rogério. Eram 12 minutos da segunda etapa, e o Figueirense, ai sim, abdicou de jogar.

 

Nervoso, abatido, o São Paulo não conseguiu criar muitas chances de gol. Muricy colocou o veterano Júnior no lugar de um zagueiro. Depois, tirou Dagoberto, que tinha se movimentado bastante e criado boas jogadas — inclusive um cruzamento que deixou Aloísio de frente pro gol que, sozinho, furou —, e colocou Borges.

 

Ironia do destino, em um lance de ataque paulista a bola foi tirada e sobrou no de César Prates. Normal seria segurar a bola. Mas o lateral, que acabara de entrar, viu uma bola oportunidade e fez um lançamento longo, para pegar a defesa tricolor no contra-pé. A jogada foi boa e o zagueiro tricolor estava batido no lance. Eis que surge o goleiro. Rogério cortou o cruzamento com o , fora da área. Levou um pouco mais e, na intermediária, lançou. A bola chegou a Aloísio que disputou de cabeça e ganhou, e então apareceu Borges, que nem tocado na bola tinha, sozinho. Na saída do goleiro bateu firme. Aos 34 do segundo tempo, São Paulo estava classificado.

 

Então os papéis se inverteram. Figueirense queria jogo; São Paulo, não. A equipe catarinense pressionou, mas sem muito ímpeto. Não é fácil aprender a jogar depois de tanto tempo sem querer jogo. E a partida terminou assim. Tricolor agora pega o Boca Júniors pela segunda fase da Sul-Americana. Ano passado o mesmo Boca venceu o São Paulo na mesma Sul-Americana. O tricolor vai virar freguês ou dará o troco?



Escrito por Ricardo Viel às 23h05
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ÊXODO NO FUTEBOL

Magrão, ex-Palmeiras, Corinthians e hoje no Inter (RS), falou. Ninguém deu muita bola. Pra ele, o motivo da ida de jogadores ao exterior (nenhuma novidade, há de ser dito) cada vez mais jovens (isso, novidade) tem uma explicação simples: a maioria deles vêm de família pobre e nas gordas cifras oferecidas a possibilidade de arrumar a vida dos seus.

 

É fato. Veja a entrevista de William, ex-Corinthians e de malas prontas para Ucrância, e de Carlos Eduardo, gremista que também parece estar indo embora. A fala é a mesma: dar uma vida melhor à família. Como combater esse desmanche?

 

Tenho pra mim que, embora transferências para clubes estrangeiros existam há mais de duas décadas, o cenário hoje é muito pior. Antigamente — estou dizendo de começo da década dos 90 — os jogadores tinham poucas opções: Itália, alguns iam para Espanha e Inglaterra. Ainda tinham casos de jogadores no Japão e alguns outros países em que o futebol estava começando a despontar. Era isso.

 

Hoje, tem jogador indo pra qualquer lugar. E não falo de jogadores sem expressão, de times de segundo classe do Brasil, que acabam indo pra países ondemuito dinheiro e pouco futebol: Arábia, Kuwait, Austrália, Noruega etc etc etc. Jogadores de primeira linha, que poderiam estar (e alguns deles até estão) na seleção, têm optado por jogar em países em que o futebol é tão tradicional como a badminton no Brasil.

 

Fiz uma pesquisa rápida pra tentar montar um time com jogadores que foram embora este ano: Goleiro: Guilherme (ex-atlético paranaense, foi para a Rússia); Laterais: Ilsinho (trocou São Paulo pela Ucrânia) e Ratinho (Corinthians – Rússia) — não encontrei lateral-esquerdo;  Zagueiros: Lima (Atlético-MG – Espanha) e Marcus Vinicius (Timão – Turquia); Meio-campo: Mineiro e Josué (ambos saídos do São Paulo para a Alemanha), Renato (Flamengo – Arábia) e William (Corinthians – Ucrânia); Atacantes: Pato (Inter – Itália) e André Lima (Botafogo – Alemanha).

 

Seguramente esqueci muita gente boa. Ainda devem ir embora antes do fechamento do mercado europeu (dia 31 deste mês) Carlos Eduardo (Grêmio) e Alex Silva (São Paulo). Volto a pergunta inicial: como fazer para que esses jogadores em início de carreira, que nem mostraram todo seu futebol no país, não partam?

 

Antigamente a culpa era da falta de organização no calendário dos jogos e dos clubes, que não pagavam em dia. Enfim, embora ainda esteja longe do ideal, acredito que o cenário melhorou. No entanto, como diria o comandante da Nau, nunca na história deste país tantos jogadores foram embora com tão pouca idade.

 

Tenho pra mim que, enquanto esse país não for menos desigual, injusto e violento, qualquer proposta que pague um pouco mais, seja pra limpar banheiro na Disney ou pra jogar futebol no deserto do Saara, será aceita. Falo de amor ao país, não de patriotismo em época de Copa e Olimpíadas. Enquanto este país não der oportunidade, não der educação, não se torne uma nação, quem puder sair, sairá.

 

A propósito, alguém sabe de algum time que esteja procurando um meio-campista, canhoto, 1,76, 62 quilos...



Escrito por Ricardo Viel às 12h13
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CANSADOS NA SÉ

Feliz ou infelizmente, não pude presenciar o ato cívico que reuniu, segundo a polícia, cerca de 4 mil pessoas na Praça da Sé nesta sexta. Acho importante, primeiramente, dizer que quem prega a palavra de Jesus na praça, seja que religião, dia e hora for, reúne, fácil, fácil, umas 50 pessoas. Se colocar uma mulher de biquíni, então, ai bomba. Enfim, a manifestação dos “cansados” deve ter sido um show de horrores. Agnaldo Rayol cantando o hino? Paulinho Vilhena discursando? Hebe e Xuxa (o nadador) e D´Urso, reunidos? Deve ter sido inesquecível.

Por falar em D´Urso, ele talvez estivesse tão radiante no comando do movimento por não saber ainda, creio eu, que um de seus principais clientes, o casal Renascer (o bispo e a bispa Hernandes) recebiam nos EUA uma pena de 5 meses de prisão por entrarem no país com dinheiro dos fieis brasileiros sem declarar. Pois é, lá a Justiça funciona e quem lava dinheiro dança. Nesse ponto parece que os EUA estão a nossa frente.
Falar em Justiça, senhor D´Urso é um dos maiores críticos da videoconferência para interrogatórios de presos. Engraçado, não estariam os cansados protestando contra violência, insegurança e coisas do gênero? E a videoconferência, não seria ela uma solução para evitar que o Estado gaste tanto com viagem de presos, que envolve, atém de transporte, diária de policiais, gasolina de viaturas, sem contar o desvio da patrulha para outro fim?

Talvez seja essa apenas umas das tantas contradições desse “movimento cívico”. O ato apartidário conta com a presença de “ilustres” como Hebe, Ivete Sangalo, Regina (medo) Duarte e Ana Maria Brega, ops, Braga. Coincidentemente, essas mesmas figuras estavam presentes no casamento da linda filha do lindo ex-quase-futuro presidente dessa nação, Geraldo Xuxu Alckmin. Quem sacou essa foi Gustavo Petta, e o Futepoca repercutiu.
Para ficar completa a show, só faltou mesmo a presença do tal querido Agnaldo Timóteo. Fica pra uma próxima.


Ps: Fiquei com dó é daquele pessoal que dorme nas escadarias da Praça da Sé, ou da mulecada que comete pequenos delitos por ali. Além de serem desalojados, ainda tiveram que escutar Rayol cantando, Hebe falando e D´Urso palestrando. A Febem deve ser mais agradável.



Escrito por Ricardo Viel às 18h19
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NEM TODOS TÊM O PRIVILEGIO DE SE SENTIREM CANSADOS

A charge de hoje da Folha é fantástica, fala desse movimento elitista que quer, de repente, levantar a bandeira de uma espécie de “voz do povo”. O tal “cansei” é um manifestação idealizada, coordenada e financiada por e para uma minoria. Aquela que mais se beneficia das mazelas deste país. Estariam eles cansados de tudo, mesmo? Ou será que só querem que se altere aquilo que para eles é importante: caos aéreo, menos impostos etc? Para o colunista da Folha Elio Gaspari, a impresa tem má-vontade com a elite e tenta ridicularizá-la quando ela se mobiliza. Qual problema da elite se manifestar? Na minha opinião, nenhuma, contanto que o movimento não seja hipócrita a ponto de se dizer apartidário e aberto a todos. Por que então não convidaram o MST? Perguntou alguém. Não souberam responder. A verdade é que tem gente ali querendo se promover com esse movimento. Por enquanto só estão conseguindo ser ridicularizados. Figuras tão pouco carismáticas e “almofadinhas” não combinam com a linha de frente de um movimento. Soa falso. Além disso, cada vez mais cavam a própria cova com declarações infelizes como a última do presidente da Phillips (um dos “mentores” do movimento). A revista Fórum deste mês — que sai com uma entrevista que fiz com Eric Nepomuceno sobre Eldorado do Carajás (merchan...) — sai com uma capa, na minha opinião, muito feliz. Diz: Nossas lutas não admitem cansaço. E traz a foto daquele quadro O grito, do Edvard Munch. Em determinado momento, o editorial da revista afirma: “Essa desigualdade nunca cansou os doutores de gravata que latem ferozes contra a corrupção que muitos deles, de seus familiares, de seus pais ou avós, cansaram de alimentar, com o beneplácido ou a cumplicidade de governos ditatoriais ou pseudo-democráticos”. Eu aderi foi a campanha dos companheiros do futepoca: cansei de busão lotado. Nesta sexta-feira, às 13 horas, enquanto meia dúzia de gravatinhas estiverem na frente da Praça da Sé (na frente, já que a igreja, num sábio ato — as vezes eles acertam — vetou que a manifestação fosse feita lá dentro), vou fazer barulho. E tenho dito!

 



Escrito por Ricardo Viel às 09h55
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Alex Silva vai pra Ucrânia, disse Wagner Ribeiro enquanto cortava cabelo no Zezinho

O zagueiro Alex Silva vai embora do São Paulo e seu destino será a Ucrânia. Podia dizer que tenho fontes, que sou muito bem relacionado e que fiz um grande trabalho de apuração, mas não é nada disso; simplesmente fui cortar o cabelo e o empresário de futebol Wagner Ribeiro estava . Ele é aquele cara que levou o Robinho e o Kaká emboraentre muitos outros. Pra quem gosta de futebol, ele e Juan Figer são os fantasmas que mais assustam.

Enfim, o cara chegou lá no Zezinho, pediu pra apararem as costeletas e contou que tinha acabado de voltar da Ucrânia. Foi pra convencer o Ilsinho a ficar, aproveitou e negociou o Elano pra Inglaterra e convenceu a equipe do leste europeu a comprar Alex Silva — o cara é bão! Os jornais estão dizendo que ele (Alex) vai pra Espanha. Ribeiro, enquanto perguntava pro Zezinho como fazer pra pintar o cabelo e não ficar ridículo igual o Leão, garantiu que o destino do “pirulito” é o Shakhtar Donetsk — mesmo time do Ilsinho. 

Ele contou também que fui jurado de morte várias vezes, sempre que leva um cara bom embora. criaram até comunidade no orkut "homenageando" o empresário, dizendo iam quebrar a cara dele com extintorestuprar a filha, entre outras palavras de carinho. Ah, o empresário também está negociando o Willian do Corinthians — acho que ele conseguirá novos desafetos. Pelo menos nesse ponto ele é gente boa: não tem essa de time! Leva quem está jogando bem.

É preciso fazer um esclarecimento. Você deve ter pensando o seguinte: ou o tal empresário é muito pão-duro ou esse cara (no caso, eu) está ganhando bem pra cortar cabelo no mesmo lugar que um empresário de jogador. Seguramente é a primeira opção. Tanto que até pendurei com o Zezinho, qualquer hora passo pra acertar. O cara deve ter muita grana, mas deve ser daqueles que não pagam um chopp pros amigos. Chegou de carro emprestado. Se bobear pendurou a conta também. Pobre Zezinho.



Escrito por Ricardo Viel às 19h37
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São Paulo vence Atlético PR e dispara na liderança

O São Paulo fez o dever de casa. Na fria noite deste sábado, bateu o Atlético Paranaense por 2 a 0 — Jorge Vagner e Borges — e terminou o 1º turno do Campeonato Brasileiro na liderança. Foi um jogo tranqüilo para o tricolor, que ditou o ritmo da partida e jogou o suficiente para vencer.

 

Logo aos 5 minutos, após uma falta em dois lances marcada na entrada da área, Rogério Ceni rolou e Jorge Vagner chutou rasteiro, forte. A bola passou no meio da barreira e entrou no canto esquerdo do goleiro. A partir daí, o São Paulo teve a posse de bola, trocou bem passes no meio de campo, mas foi pouco agressivo.

 

A defesa da equipe paulista, que sofreu apenas sete gols em 19 jogos, e o meio campo, comandado por Josué e Richarlyson, não deram chance ao ataca nada criativo da equipe paranaense. No entanto, os jogadores de frente do São Paulo, também, pouco fizeram no primeiro tempo.

 

Na volta à segunda etapa, a equipe da casa começou sufocando o Atlético. Logo aos 9 minutos, após o rebote do chute de Richarlyson, Borges teve o trabalho de empurrar pras redes. São Paulo 2 a 0. Borges artilheiro da equipe na temporada, juntamente com Hugo. Depois do jogo a torcida são-paulina, que compareceu em ótimo número — 36,5 mil — ensaiou um olé, e o tricolor tocou a bola. As mudanças do Atlético não surtiram efeito.

 

Com a vitória, o São Paulo dispara na liderança do campeonato, abrindo sete pontos do vice, o Botafogo — que tem dois jogos a menos; pega amanhã o Figueirense, em Florianópolis, e o Corinthians, no Pacaembu. Na próxima rodada o São Paulo vai a Goiânia enfrentar o Goiás.



Escrito por Ricardo Viel às 00h59
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FUTEBOL, COISA DE MACHO!

situações em que, mesmo não sendo aceitável, uma atitude é compreensível. Fala do técnico do Flamengo, Joel Santana, que logo na estréia tomou uma piaba do Santos e perdeu a compostura. Mandou os jogadores do time baterem se os adversários ficassem comfirula”. Primeiro que esse conceito de “firula”, de desprezo ao adversário, é complicado de se entender. Garrincha, o maior driblador da história, desrespeitava os pobres marcadores quando fazia o que fazia? Ou apenas jogava futebol — muito bem jogado.

 

O STJD estuda punir Santana, seria um exemplo. Em um texto que publiquei há umas semanas no blog, Eduardo Galeano fala da talraça” uruguaia, que acaba se confundindo, muitas vezes, com a deslealdade. Muitos treinadores e jogadores ainda acreditam no lema: “futebol é coisa pra macho”. Então, na base da porrada, acham que vão intimidar alguém e vencer. Para nossa sorte, aindajogadores como Pato, Ronaldinho, Robinho e cia, que demonstram que, pelo menos dentro de campo, o que importa é a habilidade.

 

Enfim, dizia eu que a atitude de Joel Santana é inaceitável. Ele foi infeliz, mas até dá pra entender. O cara pegou o time nas últimas colocações, estreou tomando três e perdeu a cabeça. Mas o que dizer de um juiz de direito —  desses que quando um advogado vai escrever uma petição dirigida a ele tem que chamá-lo de excelentíssimo e doutor (ao mesmo tempo) —  que afirma que futebol é “jogo viril, varoni” e que não consegue conceber um ídolo brasileiro da Copa de 70 que fosse homossexual. (continua...)



Escrito por Ricardo Viel às 09h54
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Futebol é coisa pra macho

(Continuação...)

Enfim, o cara estava no conforto de sua cadeira de couro, refletiu sobre o que ia escrever, provavelmente releu a decisão e ainda assim mandou publicarem? É o fim. A decisão, pra quem não sabe, envolve o jogador do São Paulo Richarlyson e é de uma infelicidade sem fim. Que um cidadão possa pensar desta forma, e comentar o que pensa numa mesa de buteco, ainda vai lá. Mas um magistrado, uma pessoa que, em tese, conhece as leis, a Constituição, os chamados direitos fundamentais, escrever uma coisa dessas, é inacreditável.

 

O CNJ pediu explicações. Vamos ver até onde vai. Acho que a lugar nenhum. Juizes são deuses. Passaram em um concurso públicoque pelo visto não mede muito a capacidade de ninguém — e depois estão imunes. Fazem o que querem.

 

O mais triste é que no fim da decisão ele escreve: “É assim que eu penso...e porque penso assim, na condição de Magistrado, digo!”. Ou seja, juiz não precisa conhecer a lei, ter bom senso, aplicar os princípios do direito etc!? É dizer o que pensa, porque na “condição de magistrado” decide? Pára tudo!  

 

Obs: Fiquei muito tempo sem postar. Teve até comemoração — né, Fernando? Compromissos e falta de tempo. Pelo visto, o blog vai ser enterrado. Faremos um funeral digno — né, Fernando? O motivo é mais do que justo, uma chance pra que o que eu escreva seja lido por mais gente além do Fernando.



Escrito por Ricardo Viel às 09h53
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ILSINHO, OUTRO QUE NUNCA MAIS VEREMOS JOGAR

Na minha opinião, Ilsinho é um craque. Joga um futebol refinado, no estilo de Leonardo, Júnior e Jorginho. Tem 21 anos, e seu caminho natural é ir parar no meio campo. Além de driblar muito bem, tabela fácil e chuta a gol. Não sabe marcar. Então, seu destino será o meio. E se o colocarem ali vai arrebentar.

 

No entanto, eu e você, caro leitor, não veremos isso. A menos que você consiga na sua televisão assistir o campeonato Ucraniano, ou tenha planos de ir morar no distante país. Com sorte, veremos Ilsinho jogar meia dúzia de vezes ao ano. Isso se ele for convocado para a seleção e for titular. Acho difícil. Não porque não tenha futebol para isso, mas porque ficará esquecido no meio do país que um dia pertenceu a potência soviética.


Caso Dunga continue na seleção por mais um tempo, Ilsinho pode ter mais sorte. Só Dunga, do alto de sua sabedoria, assiste o campeonato Ucraniano. Tanto que convocou Elano para a seleção. Que joga no futebol time que comprou Ilsinho, o Shakhtar Donetsk.

 

A transação envolvendo São Paulo e o expressivo time da europeu oriental foi boa para todos. Ilsinho levará uma grana. O tricolor paulista também. Os “ucraninos” verão um belo jogador em ação. Só quem perde somos nós, os apaixonados que ainda insistimos em acompanhar o futebol.

 

No domingo, cheguei em casa e faltavam 20 minutos para terminar Cruzeiro e São Paulo. O tricolor já ganhava de 2 a 1, e eu perdera o golaço de Hernanes. O jogo parecia em câmera lenta. Incrível. Os jogadores se arrastavam. De ambas as equipes. O campo parecia enorme. Parecia que estávamos no segundo tempo da prorrogação de um jogo disputado ao meio dia.

 

São poucos os jogadores do Brasileirão que salvam. São eles os que irão embora, para jogar em potências do futebol mundial como Ucrânia, Turquia, Arábia, Emirados Árabes...



Escrito por Ricardo Viel às 18h06
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O ESTILO BRASILEIRO DO NORTE-AMERICANO MANGABEIRA

Mangabeira Unger é um pensador, um homem importante. Daqueles que enchem o país de orgulho. Professor de direito na Harvard, umas das mais conceituadas do mundo, abandonou a carreira acadêmica e outros trabalhos que realizava nas terras de Mickey Mouse para servir o Brasil. Após chamar o governo Lula de “o mais corrupto da história”, Unger aceitou um convite para ser ministro da Secretaria do Planejamento Estratégico, pasta com status de ministério. Porque aceitou? Por que o país precisa de gente assim.

 

Enfim, o filósofo e professor Mangabeira Unger incorporou tanto isso de voltar ao Brasil, que parece que deixou nos EUA a noção de cidadania e respeito, para se parecer mais aos conterrâneos deste pais subdesenvolvido e subnutrido. Ontem, o fotografo do jornal Estado de S. Paulo flagrou o carro do ministro estacionado em local destinado à deficientes físicos em um shopping de móveis, em Brasília.

 

A foto foi tirada as 21h, portanto, fora do expediente. Segundo a reportagem, primeiramente Unger deu ma de “joão-sem-braço” — sem qualquer trocadilho com a questão dos deficientes, por favor — e passou reto do carro. Como se não fosse dele. Depois, mandou que alguém retirasse o automóvel do local.

 

É disso que nosso país precisa, de pessoas brilhantes, que dêem aula de filosofia nos Estados Unidos, mas que não conseguem respeitar regras simples de convivência. Pra frente Brasil!!!

 

 

 



Escrito por Ricardo Viel às 17h49
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